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sábado, 21 de junho de 2008

Taí o que vocês queriam, corneteiros!

Pois bem, acho que agora já deu pra ver como será nosso Brasileiro: novamente o campeonato do quase. A diferença que agora estaremos no grupo dos quase rebaixados. E torçam por isto, viu.

Não falo somente por mais uma alarmante derrota em casa, com 3x mais chutes a gol que o adversário. Não falo apenas pelo jejum de 12 jogos do WP. Não falo unicamente por ver os salários atrasados em mais de 60 dias, como há meses não se via. Não falo exclusivamente pela notícia de que nosso xodó e artilheiro com Estrela comprovada pode voltar do futebol alemão direto para o Inter, ao invés de reforçar o Fogão. Não falo restrito ao costume de há muito não perder tantas partidas seguidas, dentro ou fora de casa.

Falo por tudo isso e muito mais.

Falo saudoso de uma época onde eu olhava para o banco e via um grupo mediocre rendendo mais que o esperado porque tinha um treinador de verdade e com brios. Falo de uma época não muito longínquoa, menos de um ano, quando éramos favoritos a tudo e já detentores do título de melhor time do Brasil, sem ao menos levantar uma taça - isso sim é moral.

Mas queriamos mais e deixamos a nossa ganância e falta de humildade serem inflados pela mídia que pelo visto nos concedia nosso valor um dia e o tirava no outro. Ao invés de enxergarmos o crescimento sustentável do valor alvinegro, nos iludimos com o outro de tolo vendido pela FlaPress. Ao invés de uma retórica ancorado em nosso coração glorioso, adotamos um discurso apequenado e medroso, imposto pela pressão externa. Deixamos que nos roubassem em campo, mas principalmente, em nossas almas: não era necessário termos esperança - a última das calamidades retidas na caixa de Pandora. Bastava termos a certeza de nossa evolução e trajetória ascendente e que com fé - o amor da alma gloriosa - e apoio incondicional seriamos todos campeões, mais cedo ou mais tarde. Quiserem os corneteiros que detonaram nosso time e, principalmente, nosso identificado e comprometido treinador, que fossemos campeões mais tarde.

O que nos resta hoje em dia?

Um técnico apático, um ataque cardíaco de tanto perder gols, além de jogadores que não se encontram em campo e dão espaços para os adversários pararem, mirarem, cruzarem e cabecearem; sem contar uma saída quase em falso e uma falta de vontade de se jogar na bola pra defender uma cabeçada que... bem, não quero ser injusto do alto de minha decepção. Até porque quem falhou mesmo foi o defensor que acompanhava o atacante e o deixou cabecear sozinho de cara pro gol e, em último caso, quem deixou aquela bola ser cruzada.

Vou deixar o coração esfriar e voltar a ter a chama moderada do Fogo Eterno; por enquanto ardo de paixão e me consumo por inteiro por saber que a história poderia ser outra.

Se houvesse uma estrutura psicológica do time e, principalmente, da torcida, o que acabaria por refletir na diretoria que contrataria um time de verdade - estádio lotado paga jogadores -, com habilidade e capacidade de decisão: porque técnico tinhamos. Basta ver a diferença de rendimento que o time já apresenta.

O principal exemplo de nossa fase é a melancólica seqüências de destaques da página de notícias do Botafogo na Globo.com:


  1. Lusa confirma boa fase e bate o Glorioso no Engenhão - desculpem os patrícios paulistanos, mas a Lusa pode estar na fase que for, é nossa obrigação a vencer em casa
  2. Título de 1989 comemora 19 anos - bacana, emocionante, mas quem vive de passado é museu
  3. Pesquisa comprova crescimento de torcidas mirins de Flamengo e São Paulo - sinceramente, era para nós estarmos nesse pelotão de frente e isto apenas a nossa auto-estima pode fazer pela gente
  4. Palermo esteve perto de reforçar o Bota - mais um quase; ridículo isto ser notícia, ainda mais com destaque
  5. Bebeto se reúne com jogadores e promete empenho para pagar salários - os jogadores também prometem empenho, os torcedores prometem empenho, todo mundo promete. Mas quem é que vai começar a cumprir? O caso André Lima de fato me deixou chateado com os envolvidos.

A situação está tão ruim que mesmo perdendo de 1x0 a chamada principal da página é:

Ataque falha e o Alvinegro tropeça em casa
Jejum de Wellington Paulista chega a 12 jogos e time perde por 2 a 0 para a Portuguesa

Incrível, não?

Indico um acompanhamento psicológico baseado na teoria dos arquétipos, de C.G. Jung, a dispensa de alguns jogadores que já mostraram não se enquadrar nas pretensões do Glorioso de voltar a brilhar como nunca deveria ter deixado de brilhar - a nossa última convocação à seleção comemorou 10 anos recentemente, a contratação do André Lima e de mais 3 jogadores de peso, com currículo vencedor.

Ah sim, quando puder, chama o Cuca de volta. Não precisa ser nenhum Geninho pra ver que a fórmula atual não vai funcionar.

Enquanto isto, nosso dever, enquanto torcida, é lotar o estádio e apoiar incondicionalmente, deixando para criticar construtivamente nos fóruns adequados e de maneira responsável.

SAN

K1

domingo, 1 de junho de 2008

Aflitos

Fraternidade Estelar - FE,

foi nesse estádio que demonstramos nosso estado: aflitos.

Tomar de 3 do Náutico, ter mais uma vez penalidade não marcada, jogador expulso e detido, bem como presidente recebendo voz de prisão é algo que não combina com a estirpe alvinegra da ética e boa conduta. O que está errado? Será que somos nós? Será que é o mundo?

Antes de mais nada, confesso que - pela primeira vez no ano - não vi/acompanhei o jogo. Estava fazendo pratica de zazen - meditação zen budista - aqui em Santa Teresa, no Rio. Bacana vivenciar como os ensinamentos de Buda são desenvolvidos e aplicados de maneiras tão distintas, mantendo contudo a unidade de seus princípios, tanto no budismo tibetano - do qual faço parte -, quanto no zen budismo japonês. E o que isto tem a ver com o tema inicialmente abordado?

Tudo. Comentava ontem com o assessor de imprensa do Botafogo, que acabara de conhecer em um open house de um amigo em comum, que estamos - time, diretoria e torcida - vivenciando o arquétipo da jornada do herói - sim, estou completamente enebriado pelas aulas de psicologia junguiana: aprendemos a perder, a sermos roubados, a sermos humilhados, a nos identificar e saber de nosso valor, mas ainda não estamos sólidos nesta etapa. Ainda estamos precisando de uma confirmação exterior, que de fato não precisa vir: já provamos nossa força, que somente não levou a um título devido a fatores externos (roubo). E agora, deixamo-nos abater por outros fatores externos e perdemos para nós mesmos, pois estamos reféns do medo - da zoação, da derrota. E o fato é que isto tudo não importa: só perde quem está disputando, só é quase quem está chegando e nada deve abalar nossa confiança no sólido e correto trabalho que está reerguendo o clube nos últimos anos.

Por isto que é necessário parar, meditar, refletir, contemplar todo o nosso potencial e fazer ajustes leves, mas fundamentais.

É saber se tornar imperturbável, não se deixar abalar por nada, pois NÃO HÁ DERROTAS PARA QUEM NASCE GLORIOSO. Esse deve ser nosso mantra, aí deve residir nossa força, a FÉ de que nada nos tira a glória, pois já nascemos assim: em nossa alma está tatuada a Estrela que nos conduz e cuja Luz deve ser nosso norte para seguirmos para o alto e adiante. Com FOCO e a a certeza de que somos insuperáveis nada nos deterá.

Não marcaram uma falta? Expulsaram injustamente? Dê aquele leve sorriso de quem sabe que estamos sendo prejudicados e canaliza a energia (libido) para jogar ainda mais. Não deixa a raiva, a frustração e demais sentimentos negativos tomarem conta e nos destruírem ainda mais. Precisamos controlar nosso lado negro para fazer a Estrela brilhar cada vez mais: PARA CADA INJUSTIÇA, UM GOL.

E para quem acha que estou viajando, trago citações do livro 'O herói e o fora-da-lei' (ed.Cultrix/M&M). No início da terceira parte do livro, lê-se que "os que deixam sua marca no mundo" são de 3 tipos: "Herói, Fora-da-Lei e Mago".

O lema do Herói é "onde há vontade, há um caminho"; o do Fora-da-Lei é "as regras são feitas para serem quebradas"; o do Mago é "pode acontecer" - daí já consigo pescar que nosso título poderá acontecer somente quando soubermos quebrar o tabu ao encontrarmos o caminho trabalhando diretamente em nossa vontade e ela não pode ser discurso, tem que ser prática cotidiana. Não devemos ter vergonha de sermos o que somos, temos que ostentar com orgulho nossa Estrela, certos tanto das nossas sombras, quanto de nosso eterno brilho. Se continuarmos a nossa jornada guiados por essa Luz, sem nos determos a questões exteriores, venceremos. Primeiro a nós mesmos e depois a qualquer um que passe por nosso caminho.

Vejamos a 'ficha' de cada arquétipo e reflitemos se estamos ou não trilhando o caminho de marcarmos o mundo e escrevermos história, com B de Botafogo.

Herói

Desejo: provar o próprio valor por meio da ação corajosa e difícil
Meta: exercer a mestria de modo a melhorar o mundo
Medo: fraqueza, vulnerabilidade, "amarelar"
Estratégia: tornar-se tão forte, competente e poderoso quanto lhe for possível ser
Armadilha: arrogância, desenvolver a necessidade de que exista sempre um inimigo
Dons: competência e coragem
Conhecido como: guerreiro, cruzado, libertador, super-herói, soldado, atleta vencedor, matador de dragões, competidor, jogador de equipe
Motivação: o desafio o chama
Nível 1: desenvolvimento de fronteiras, competência e mestria, que se expressam por meio da realização e são motivadas ou testadas por meio da competição
Nível 2: tal qual um soldado, cumprir seu dever para com o país, organização, comunidade, família
Nível 3: usar sua força, competência e coragem em algo que faz diferença para você e para o mundo
Sombra: desumanidade e necessidade obsessiva de vencer

Chegamos nos últimos dois anos bem em todos os campeonatos, mesmo sendo claramente prejudicados e com elencos teoricamente menos favorecidos. Contudo nos deixamos abater pela cobrança exterior de títulos (necessidade obsessiva de vencer) e nos descontrolamos - sem contudo nunca termos deixado de ser éticos.

Fora-da-Lei

Desejo: vingança ou revolução
Meta: destruir aquilo que não funciona (para si próprio ou para a sociedade)
Medo: não ter poder, ser comum ou inconseqüente
Estratégia: rebentar, destruir ou chocar
Armadilha: passar para o lado sombrio, criminalidade
Dom: irreprimível, liberdade radical
Conhecido como: rebelde, revolucionário, vilão, selvagem, desajustado, inimigo, iconoclasta
Motivação: sente-se desprovido de poder, com raiva, maltratado, sitiado
Nível 1: identifica-se como marginalizado, dissociando-se dos valores do grupo ou da sociedade de modo tal que foge diante dos comportamentos e da moralidade convencionais
Nível 2: comporta-se de modo chocante ou destruidor
Nível 3: torna-se um rebelde ou revolucionário
Sombra: comportamento criminoso ou prejudicial

"Eu estou furioso e não agüentar mais isto" é uma frase que se identifica tanto com este arquétipo quanto com o que se passou hoje em campo, nos Aflitos - e quem não está? Mas a diferença é como conduzir tudo doravante. Parece-me que o arquétipo do Mago pode nos ajudar em nossa jornada heróica.

Mago

Desejo: conhecer as leis fundamentais do funcionamento do mundo ou do Universo
Meta: tornar os sonhos realidade
Medo: conseqüencias negativas inesperadas
Estratégia: desenvolver uma visão e vivê-la
Armadilha: tornar-se manipulador
Dom: encontrar resultados 'ganha-ganha'
Conhecido como: visionário, catalisador, inovador, líder carismático, mediador, xamã, agente de cura, curandeiro
Motivação: pressentimentos, experiências extra-sensoriais ou sincronísticas
Nível 1: momentos mágicos e experiências de transformação
Nível 2: a experiência em fluxo
Nível 3: milagres, passar da visão para a manifestação
Sombra: manipulação, feitiçaria

Acho que já se pode perceber onde quero chegar não?

Estamos passando por uma experiência de transformação e que deverá nos revelar que a cura está em nós. Para alcançarmos nossa meta de sermos campeões é necessário fazer com que revolucionemos nossa postura e modo de pensar: recriemos nossa ética, continuando a mantê-la limpa, mas mais rigorosa com o adversário para que não tenhamos que ser rigorosos com nós mesmos. Conhecer mais como as regras funcionam e usar tudo a nosso favor, sem perdermos nossa integridade. Parar de reclamar do exterior e focar na superação interior: revolucionemos a nós mesmos para revelar todo o Glorioso Poder que nos levará a fazer a diferença.

Bem, o importante é parar de se abalar com o mundo exterior, se focar e ter certeza de nossa força: seremos campeões.

SAN

K1